Com quatorze anos, impressionei-me com um VHS velho que tinham me emprestado na escola, era cheio de animações psicodélicas, repletas de significado, e naquela época fazia muito sentido com o que estava acontecendo na minha cabeça, foi com essa idade que decidi o que queria fazer para o resto da vida. Decidi ser desenhista.

Nessa mesma época, eu havia concluído meu primeiro curso de desenho. Com a repercussão positiva dessa conclusão, abandonei os esportes, adquiri alguns vícios e nunca mais parei de desenhar. Em “The Wall”, produzido pelo mesmo cara dos Live Aid/8, eu encontrei a melhor forma de me distrair durante as aulas. Era destroçando um bonequinho de pano que eu alimentava (ou dissuadia, nunca soube) minhas frustrações e tirava notas ruins no fim do mês. E como, na maioria das vezes, eu o aniquilava pensando em alguém específico, acabei por nomeá-lo voodoo. Ele acabou por causar um efeito diferente do que eu imaginava, meus colegas o achavam “bonitinho”, e como eu nunca lhes tinha falado o nome, ou talvez só tenha escrito em algum canto, sempre que me perguntavam se tinha algum novo, preguntavam pelo “voodoozinho”, e assim foi.
